dúbia
A que chão podes tu pertencer, para te sentires segura, quando finges não saber que há arbustos imitando a magnificência das árvores, e que nenhum pão será cozido com o grão nascido entre o joio? Que em cada flor desmaiada há a possibilidade de um nunca medrado fruto? Por que insistes na tua paciência, esperando mais tu dele do que ele de ti? Que, fora do tempo e espaço que raramente partilham ambos, tudo é equívoco? Por que resistes às evidências e nele continuas acreditando? Entras no duche e preferes que seja a água fria a fustigar-te o corpo, como se apanhada por uma chuva não prevista. Dizes para ti mesma que ainda tens fé no coração. Qual – o teu ou o dele? O dele só palpita para a intumescência do pénis que ostenta. Pulsa para pensar em ti como carne, um canhão prestes a vir-se sobre as voluptuosas formas que tens. Diz-me, por que o acreditas? Queres assim? Sacia-te assim? Acaso te consome contrariá-lo por tudo isso representar o contrário de quem és? Por que vais – é por medo d...